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Uso indiscriminado de vitaminas

Confesso que esse assunto é bem controverso e bem delicado de se tratar. Se tem uma cultura de que o uso de vitamina faz bem e previne o envelhecimento, mas como diz o geriatra Dr. Alberto de Macedo Soares, “o único jeito de não envelhecer, é morrer precocemente”.

A Sociedade Brasileira de Geriatria vê com preocupação não só as correntes ortomoleculares, que propagam o uso de vitaminas e de antioxidantes em larga escala, mas também vê com preocupação as academias e outras sociedades ditas de “antienvelhecimento”.

Abaixo vou mostrar alguns estudos relacionados ao uso de vitaminas:

 

Physicians Health Study (NEMJ-1996)

22.701 pacientes (40 -84 anos), acompanhados durante em média de 12 anos com suplementação de 50 mg de beta-caroteno em dias alternados ou de 325 mg de aspirina ou placebo.

Resultado: NÃO houve qualquer benefício em relação à incidência de neoplasia ou sobre a mortalidade cardiovascular.

 

Alpha-Tocopherol, Beta-Carotene Cancer Prevention Study (NEMJ-1994)

29.133 homens fumantes, com seguimento médio de 6 anos, com suplementação diária com 20 mg de beta-caroteno ou placebo.

Resultado: Aumento significativo do RISCO de desenvolvimento de CÂNCER de PULMÃO naqueles que receberam beta-caroteno em relação aqueles que receberam placebo e houve ainda aumento significativo de morte no grupo beta-caroteno.

 

O Beta-Carotene and Retinol Efficacy Trial (N Engl Med 1996 May 2;334(18):1150-5

18.314 fumantes, ex-fumantes e trabalhadores expostos à asbesto num seguimento médio de quatro anos. Suplementação diária de 30 mg de beta-caroteno + 25.000 UI de retinol

Resultado: Aumento dos riscos de câncer de pulmão, de mortes por doenças cardiovasculares e de morte por qualquer causa nos participantes que receberam a suplementação vitamínica. Este estudo foi interrompido 21 meses antes do previsto devido aos efeitos adversos deste tipo de suplementação.

Em uma meta-análise foram estudados os antioxidantes: BETA-CAROTENO, VITAMINAS A e E, VITAMINA C (acido ascórbico) e SELÊNIO.

Em 47 dos estudos analisados (180.938 participantes), o emprego desses antioxidante aumentou a MORTALIDADE em 5%.

Excluindo os estudos que utilizaram o selênio, os antioxidantes beta-caroteno, vitamina A, e vitamina E, aumentaram a MORTALIDADE em 7%, 16% e 4% respectivamente. A vitamina C e o selênio não tiveram efeito significativo na mortalidade.

O princípio de que se vitamina não fizer bem, mal também não faz cai por terra diante de tantos estudos.

Em uma entrevista super interessante com Dr. Drauzio Varela e Dr. Alberto sobre esse assunto, vou relatar alguns tópicos importantes:

  • Não há evidencias de que o maior consumo de VITAMINA C previna gripes e resfriados. Aliás, um jargão difundido no tempo de nossos avós era: gripe, vitamina C e cama. Hoje, o geriatra não prescreve vitamina C e muito menos cama. Porque as evidências são muito controversas nos pacientes imunocomprometidos, e colocá-los de cama pode representar fator predisponente para a pneumonia. Em suma , a conclusão das sociedades de geriatria é que, na imensa maioria dos casos, não ha a menor evidências de que a vitamina C deva ser indicada, apesar de ter demonstrado ação antioxidante nos tubos de ensaio, uma vez que essa resposta não ocorre nos seres humanos.

    O excesso de vitamina C pode provocar cálculos renais, disturbios gastrintestinais e incômodo na bexiga porque acidifica a urina e isso provoca irritação.

  • Existem algumas situações em que as vitaminas são indicadas. É o caso da carência de vitamina B12, que pode provocar deficit de memória. Outro exemplo é o da indicação de vitamina D para os portadores de osteoporose. Sabemos que a associação de vitamina D e cálcio altera a densidade dos ossos, pois ajuda a fabricar tecido ósseo. E em todas as situações que a vitamina estiver em dose baixa ou deficiente em nosso organismo.

    Brecar o envelhecimento é uma proposta sedutora, mas inviável e inacessível. Cabe-nos procurar envelhecer com qualidade de vida, com saúde, sem buscar medidas discutíveis e não comprovadas para retardar um processo natural do organismo.

 

Stop Wasting Money on Vitamin and Mineral Supplements

“EDITORIAL AFIRMA COM VEEMÊNCIA QUE AS PESSOAS DEVEM PARAR DE USAR VITAMINAS INSDICRIMINADAMENTE. PARA OS EDITORES, EXCETO EM CASOS ESPECÍFICOS, O CASO DAS VITAMINAS ESTÁ ENCERRADO.

NA MELHOR DAS HIPÓTESES O USO DE SUPLEMENTAÇÃO É UMA PERDA DE DINHEIRO.” Ann Interm Med. 2013;159:850-851.